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quarta-feira, 15 de abril de 2026

A morte cerca-nos

 A morte cerca-nos

  • Ventor
  •  23.08.05

Os sobreiros estão a morrer

Os freixos estão a morrer

Os matos e herbáceas estão mortos

As sementes dos sanguino não resistem e as folhas estão a murchar

Mas é preciso fazer pela vida

Ainda há frutos que podem matar ou que podem ser sustentáculo de vida

Ontem fui dar uma caminhada e só vi um melro e uma águia. Pela primeira vez não vi os meus amigos gaios. Vi também os sempre acompanhantes pardais e pintassilgos, mas verifiquei que a vida não está boa para nenhum deles. Este ano de 2005 vai marcar-nos por muito tempo. É a seca, são os incêndios, ... é a calinice de muita gente, enquanto outros são atingidos pela exaustão de trabalhos que não dá para acreditar que é verdade!

As pessoas, nós todos, somos demasiado passivos! Uns por calinice, outros por incompetência. A incompetência brada aos céus e só quem adormeceu não vê! Os fautores de leis querem "é o deles" no fim do mês e outros são uma nossa senhora não te rales. Como é possível permitir que se viva cercado de matos? Como é possível que ninguém faça cumprir os regulamentos estipulados? Como é possível esperar que o inferno nos cerque permanentemente? Há casas instaladas no meio de autênticos matagais para fazer sombras, ou para servir de barris de pólvora? Como é possível que ninguém ligue ao que se passa antes dos incêndios? Só depois? Depois, como podemos verificar, é tarde! E assim vamos nós caminhando neste planeta cheio de arrelias e de permanentes lutas para que a vida continue. Mas eu acho que os fautores da morte é que estão bem vivos!

Ainda a seca

 

Ainda a seca

  •  Ventor
  •  29.07.05

São péssimos os trilhos por ondr caminha o nosso Planeta Azul.

 

Todos sabemos, em traços gerais, o que reza o protocolo de Quioto e creio também que todos sabemos que ninguém irá cumprir assim-assim e muito menos, rigorosamente, o dito protocolo. Por muito que se tente, todos os países que acorreram a colocar o seu sinete no protocolo de Quioto, têm grandes problemas para poderem cumprir o estabelecido. A nossa civilização está tão desconchavada relativamente a estes assuntos tão graves que os políticos arranjaram maneira de caminhar nos pressupostos científicos de que tudo tem de mudar, e todos sabemos que vamos ter de mudar, mas como?

As palavras bonitas, as linhas bem escritas, não resolvem nada! Os políticos tentam passar sobre as linhas finas traçadas por cientistas politizados e políticos com vontade de se colarem aos sabedores dos sistemas da ciência. Criaram assim uma hidra de sete cabeças, pronta a vasculhar no vácuo já que nenhum ser vivo se quer aproximar dela.

As sociedades ocidentais, as mais avançadas cientificamente e mais poluidoras, acompanhadas aqui e ali por nichos sociais, em vias de desenvolvimento nos moldes das mesmas, estão em decadência, mas novos gigantes se preparam para consumir tantas energias poluidoras como elas já consomem. Vem aí a China e a Índia (e não só), para fazer, em termos globais, maior carrego sobre o que se pretende com o protocolo de Quioto.

Estas flores são chicórias

As primeiras, começam a bater-lhes à porta, milhões de pessoas com cara de fome, devido ao desemprego e continua a ser necessário dar-lhe de comer e, para isso, vai ser necessário consumir mais energia, relançando novos objectivos pouco consentâneos com o Protocolo do nosso descontentamento. As segundas, com fome ou sem ela, mas fundamentalmente com muitos milhões que se acham no pleno direito de adquirir as mordomias ocidentais, embora o protocolo de Quioto seja mais brando com elas, vão ser a estucada final neste Planeta cheio de Arrelias.

Portugal, se bem me recordo, está autorizado a aumentar 27% a emissão de gases com efeito de estufa, relativamente a 1990. Mas, segundo conhecedores da nossa praça já vai com 14% acima dos objectivos autorizados. Um bom começo para um sinete, colocado em Fevereiro, no dito protocolo. As energias renováveis? Bem que, à primeira vista, serão uma das melhores hipótese para renovar também um jovem progresso, que permita à humanidade prosseguir em caminhos mais limpos e sem que lhes faltem as mordomias essenciais indispensáveis.

Quanto a mim, acredito plenamente que a grandiosidade deste mundo está no términos. Assim, sonhando, eu continuo a ver a falta de água prolongar-se no tempo, os calores insuportáveis a ajudar aos incêndios por esse mundo fora, cá dentro e lá fora, que alguns facínoras teimam em achar piada. Cada vez que rodo na estrada, rodam à minha frente atrasados mentais, alguns em grandes bombas que atiram as beatas pela janela, garrafas de plástico vazias sem água, guardanapos, copinhos de iogurtes, pacotes de cigarros vazios e sei lá que mais.

Uma vergonha o que se vê nas estradas das nossas terras e mais ainda por gente que, pelo menos, aparentemente, deveriam ter outras maneiras de viver e conviver em sociedade mas, infelizmente, é esta a sociedade em que nos inserimos. Qualquer recanto serve de caixote de lixo de pessoas sem escrúpulos.

As aves ainda bailam para nos animar e se animarem

Será que o céu continuará azul? E vamos continuar assim! Se tiverem um pouco de atenção verificarão que os labregos estão em franco progresso. Há papás que gostam de ver os filhos inocentes a pontapear animais que estão habituados a conviver com crianças e, por isso, fáceis de apanhar. Gostam de os ver fazer asneiras de todo o tipo como deitar os lixos para o chão, estragar pequenas árvores plantadas, destruir flores e canteiros.

É nestas pequenas coisas que deve começar a luta por um melhor ambiente e essa só pode ser levada a cabo por todos os cidadãos, mas pelo que vejo hoje, nas escolas, grande número dos futuros homens e mulheres de amanhã só aprendem a via mais fácil para viver atropelando os outros. Eu vejo isso nas minhas caminhadas e nas minhas tentativas de encontrar ervas verdes para o meu Quico. À falta delas, semeei-lhe uma hortinha cá em casa, mas se falta a água para a rega? Se já não há água para regar o cebolo em pequenas hortas, imaginem como será quando não houver água para regar a minúscula horta do meu Quico!

Água fonte de vida

 

Caminhar na seca

 

Caminhar na seca

  • Ventor
  •  12.07.05

Hoje fiz uma caminhada de duas horas e meia à torreira do sol. Desci a serra da Mira entre a folhagem do nada. Ainda vi um peneireiro e cinco perdizes, mas este ano nada resiste. Aquelas belas flores selvagens não estavam lá. Havia apenas meia dúzia delas a que chamei: as resistentes! Morreu tudo! Fugidas do sol, sabendo procurar a sombra, tal como nós, levantavam aos meus pés algumas das belas borboletas que ainda vão resistindo também. Este planeta está mesmo cheio de Arrelias e os homens, não ajudam mesmo!

 

Uma linda borboleta minha companheira de caminhada

 Um mini louva-a-deus

Um gafanhoto que me disse muito mal da vida

Ela quis à viva força que eu lhe dissesse que era linda

As cigarras fizeram um festival para mim nos troncos dos eucaliptos

Resistir, resistir, resistir!

 

Planeta triste

 

Planeta triste

  • | Ventor
  •  25.03.05

São poucos os momentos de beleza natural que este planeta já nos proporciona. Por exemplo, um festim como este já é raro termos a oportunidade de encontrar por aí. Depois, por mil e uma razões, o homem continua a destruir estes ambientes, quando próximos das urbanizações. Os processos mecânicos são cada vez mais sofisticados e a destruição do ambiente é o pão nosso de cada dia.

 

Um festim

Este insecto, a que eu chamo o sugador, não me passou pívia de cartão e continuou a sugar tudo o que encontrava. "Ao menos oferecias, não"! - disse-lhe eu. «Estás maluco, Ventor! Olha só o que nos deixaram! Já nem sei se não és tu também que andas a dar cabo disto"! Realmente, um local cheio de vida, foi tudo limpo há cerca de um ano e agora não há possibilidade de festins para esta rapaziada.

O sugador

E esta minha linda menina estava muito cansada. Fez menção de se afastar, e eu chamei-a para dar a volta que só lhe queria tirar uma foto. E não é que ela me percebeu? Deu uma grande volta e veio pousar aos meus pés! Tirei-lhe uma série de fotos e agradeci-lhe por confiar em mim. Aborrecida com a vida, disse-me: «se não puder confiar em ti, Ventor, em quem poderei»? E tem razão. Hoje todos podem confiar em mim.

Uma das minhas belas meninas. Uma ninfa, companheira das minhas caminhadas

 

Coisa linda!

 

Coisa linda!

  • | Ventor
  •  13.12.04

Este bichinho, é realmente uma coisa linda! Eu já tive um igual e sei como é bom companheiro. Agora que está na moda, a defesa ecológica do nosso Mundo e acho muito bem, imaginem como seria o mundo sem, sequer, um dos seus bichos! Já imaginaram a feiura do nosso mundo sem pintassilgos? Não? Eu já!

 

O pintas - um pintassilgo 

Este passarinho, que eu tanto quero, nem que seja só olhar, enfiado no meio desse cipreste, em Belém, mantinha-se escondido a comer e, de vez em quando, vinha perguntar-me o que continuava a fazer ali! Ele deve ter imaginado que tinha um teimoso pela frente, pois eu tirei algumas fotos ao rabo, à cabeça, à asa, nem sei, até ele sair, todo cá para fora, como essa. Claro que, enquanto tirava as fotos, ia sonhando com muitos pássaros como este, num mundo decente que, espero, o homem não estrague mais.

Pisco do peito ruivo

Este, por exemplo, esteve a cantar para mim, olhos nos olhos, a 2 metros da minha cabeça. Acho que ele cantava as saudades das histórias que o seu avô lhe contava. Sim, porque tal como nós, eles também têm história. Tentem, não esquecer, cuidar do mundo que nos envolve a nós e a estes companheiros de caminhada.

Fonte de Telha

 

Fonte de Telha

  • | Ventor
  •  04.09.04

Não aquela que todos ouvimos falar e conhecemos, devido à praia, mas esta. Esta que eu descobri em 27 de Junho, algures num sítio a que chamam a Nascente do Alviela.

Fui para ver as Nascentes do rio Alviela, mas não cheguei lá. Fiquei-me pelos arredores. Já era tarde e quando caminhamos com gente cansada, ou quase, temos de mudar de agulha. Mas eu não mudo de agulha com facilidade. Vi um conjunto de freixos e belas sombras e por debaixo dos freixos a água espelhada. Fui até lá e descobri esta bela fonte de água fresca.

 

Uma nascente com água da terra, que mais parecia ser do céu

Uma sombra destas, num dia de calor, é um maná dos céus. Debaixo do nosso nariz, há belezas que nem sempre sabemos apreciar. O que é pena!

Pormenor do rio Alviela