ventor 23.07.2018
A beleza das papoilas está sempre presente. Ei-la!
Ventor 12.12.17
O Ventor diz-me que há no nosso mundo, pontos de referência que nunca esquecemos e esses pontos têm várias cambiantes. Há as grandes cidades praticamente todas iguais na vivência humana. A locomoção é a mesma em todas elas. Carros, aeroportos e aviões, linhas férreas e comboios, navios, ónibus, machibumbos, eléctricos, ... Ou então, transformamos essas cidades em corredores da história e olhamos a sua face mais rugosa dos séculos que as moldaram.
Olhamos os seus palácios, os seus castelos, as suas confrontações entre o velho e o novo. Utilizamos os seus nomes e, à medida que pronunciamos esses nomes sentimos que essa sonoridade se entranha em nós. Por exemplo: o Ventor diz-me que se pronunciar nomes como Granada, como Córdoba, como Valencia, como Paris, como Berlim, Varsóvia ou qualquer outra, tudo se conjuga para fazermos várias caminhadas.
Mas agora reparem nestes dois animais, estes belos garraninhos e em tantos outros que passam por aqui, nos nossos blogs..
Filhotes garranos a tornarem-se rapazotes
Estes, o Ventor observou-os o ano passado no Poulo dos Cagordos, nos montes da Assureira. Diz o Ventor que nestas circunstâncias o mundo é outro completamente diferente dos focados atrás. Aqui, olhar os garraninhos é como se revivesse mais de meio século para trás e fizesse a sua própria história com estas belezas sempre a caminhar a seu lado.
As mamãs descansam mas sempre de olho nos seus rapazotes que aprendem a viver e a reconhecer o seu mundo
Era assim há 60 anos, há 50 anos, há 40, há 30, ... há um! Apenas há, a mais, os pinheiros que se vêm do Poulo dos Cagordos, fazendo caminhar os nossos olhos sobre as Fontes até ao Poulo da Fraga. De resto está lá tudo! Os cavalos, as vacas, as montanhas galegas, a Derrilheira do lado contrário a rebocar todas as montanhas de Adrão, rumo à Pedrada, a serra Amarela de quem ninguém fala, Bordença, Soajo, até lá está o cortelho de pedra onde se abrigavam do mau tempo, o guarda Lameira, o Zé Ribeiro, o pai do Ventor, o Ventor e tantos outros.
Ali sentado um pouco a observar todas aquelas paisagens envolventes, diz-me o Ventor que lhe saíam do chão e, por entre os fetos, aquele som familiar dos tamancos daqueles velhos amigos que ainda por lá caminham sempre que o Ventor por lá passa
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Pintassilgo, um dos penudinhos que sempre me encantou
Ventor 21.11.2017
O Ventor fala-me de Transumânsia. A transumânsia dos gados de Soajo e de Adrão, da serra de Soajo para a serra da Peneda na segunda metade do verão. Ele conta-me tudo!
Este era o Poulo de Adrão nos montes Laboreiro.
Era neste local, em redor do Poulo de Adrão, que a malta de Adrão tomava conta do seu gado e o mantinha controlado por ali, para que não fosse roubado por estranhos, nem atacado pelos lobos que antigamente podiam atacar os vitelos e não só. Nos anos 50 haviam bastantes lobos nas nossas serras.
Uma manhã de Agosto de um ano da Graça do Senhor da Esfera, muito cedo, o Ventor, ainda pequeno, vinha da lavoura da veiga com uma braçada de ervas e alguns pés de verde milho partidos, para alimentar uma vitela que se chamava Nova. Ao chegar à fonte do Cabo do Eido, atravessou à sua frente uma manada de vacas desconhecidas e, entre elas, um grande boi. Era o “boi das vacas” de Soajo. Era assim que ele era conhecido pelos de Adrão, e o Ventor ficou muito admirado de ver ali o boi de Soajo. O Ventor conheceu-o logo porque o tinha visto junto à casa florestal do Vidoeiro, quando a malta de Adrão foi autorizada pelo Guarda da Floresta, o seu amigo Martins, a levar o gado para a área florestal dos montes que se debruçam sobre Bordença. Era um bom boi e perguntou aos dois homens que matavam a sede na fonte e as orientavam, porque andavam ali as vacas das gentes de Soajo.
A Naia
Esta foto, representa a Naia, hoje atravessada por aquele estradão que pretendia chegar até ao Poulo do Muranho, era o local oposto aos montes Laboreiro, o outro planalto em frente.
Eles disseram-lhe que as vacas iam para os montes Laboreiro pelos lados de castro Laboreiro. O Ventor, sempre que ouvia falar em Castro Laboreiro só lhe vinham à mente os cães daquela região e o seu Jolim, um cão que seu pai teve quando ele era pequenino. De resto calculava que devia ser tudo igual.
Os carros de bois, as vacas, as ovelhas, as mulheres vestidas de negro, pelos que morriam e pelos que se metiam audaciosamente nos caminhos de França. Pelos caminhos da aldeia andariam as galinhas e os porcos e caminhariam, à frente das suas gentes, as vacas e as ovelhas. Não haveriam grandes diferenças!
Mas o Ventor só sentiu a força da transumância quando o seu amigo, o Joaquim Brasileiro (que o Senhor da Esfera o tenha a seu lado, pois veio a saber que faleceu), lhe veio dizer: «Ventor, amanhã não podemos ir às trutas». “Não podemos porquê”? – Perguntou-lhe o Ventor.
Os iglos de pedra são os nossos verdadeiros monumentos
Ventor 03.07.16
Dizem os sabidos que uma águia-de-asa-redonda é o mesmo que um búteo e vice-versa.
Para mim são apenas e só, aves de rapina: águias, falcões, gaviões, etç. Prefiro chamar-lhe pelo seu nome genérico do que meter água. Quem me diz isto é o Ventor. Ora eu que sou gato, acho que, se o Ventor não sabe tudo, porque raio devia eu de saber?
Então, segundo os sabidos, esta será uma águia-de-asa-redonda.
Mas, a história que o Ventor me contou desta águia já me diz alguma coisa!
O Ventor disse-me que ela estava pousada num pinheiro ali na zona de Barcarena e piava muito. Ela piava e o Ventor tirava-lhe fotos. Por fim, o Ventor foi-se embora procurando não perturbar esta sua amiga. Ela levantou voo e seguiu pela direita do Ventor sobre os eucaliptos e pousou no meio deles. O Ventor ia tocar a campainha para entrar e apareceu a sua amiga Zuca a fazer-lhe festas. A águia sai de cima dos eucaliptos, voou relativamente baixa e toda inclinada sobre a asa esquerda, dando mais dois gritos, quando passava sobre o Ventor, olhando-o bem.
Ele seguiu atrás da águia que foi pousar sobre o mesmo pinheiro. Continuou a gritar sobre o pinheiro e o Ventor continuou a tirar-lhe fotos. Por fim, no pinheiro, e subindo-o, ela começou a brincar com o Ventor.
A águia continuou a brincar ao esconde.esconde até chegar ao topo do pinheiro
Diz o Ventor que foi uma tarde bem passada com esta águia-de-asa-redonda ou búteo. Também me disse que, apesar dela não ser muito grande, me rasgava o fato todo num instante. Ainda bem que eu fico em casa! Ela tem envergadura de 1,10 a 1,30 metros. Tem a asa aredondada permitindo-lhe caçar entre as árvores com mais argúcia.
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Pintassilgo, um dos penudinhos que sempre me encantou
O Bernardo é um amigo meu, uma beleza em Black and White. Como o Bernardo há outros. Somos todos amigos.
O Ventor disse-me que havia de os fotografar todos para eu mostrar aqui. Eu, às vezes, vejo-os passear por aqui, de noite, quando eu vou observar esses meus amigos, aqui do meu Miradouro. De noite o jardim é deles!
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Pintassilgo, um dos penudinhos que sempre me encantou