domingo, 14 de fevereiro de 2021

Os Amigos do Ventor


O Ventor falou-me hoje de velhos amigos.

Belezas do mundo do Ventor

Hoje, o Ventor e a minha Dona deixaram-me só como fazem todos os dias. A minha Dona foi à sua cabeleireira e o Ventor deixou-a lá e foi dar uma caminhada pelo Estádio Nacional.

Depois veio e contou-me coisas sobre a sua caminhada.

Chegou e as fadas de Neptuno, as nuvens como as do Alto da Derrilheira, começaram a ameaçá-lo lá das alturas. Elas começaram a descer e acabaram por se sentar sobre as árvores, algumas velhas acácias, onde os amigos do Ventor fazem os ninhos.

O Ventor chateou-se e avisou as nuvens que, ou sumiam, ou ele fazia queixa delas ao seu amigo Neptuno por lhe estragarem a caminhada. Como o Neptuno cansado de se lançar contra a terra durante todo este inverno, ainda dormia, elas que tinham ido embora, voltaram. O Ventor tinha saído do carro e fora dar uma passeata, ficando logo sob a ameaça delas que sabem que o Ventor não gosta de se molhar. 

Depois, meteu-se no carro e foi ver o casarão dos seus amigos dos dois últimos anos - os estorninhos. Lá andavam eles, na sua azáfama de limpeza e reconstrução das suas velhas casotas.

Entrou pelos vidros do carro dentro aquele velho som de avisos que os estorninhos emitem quando sentem perigo. Mas, um deles reconheceu-o e começou logo a gritar: "Ventor! Ventor! Ventor! ... Com este não há perigo"! Este era o som quando o Ventor chegou. Parecia o som dos pára-quedistas franceses quando estavam cercados pelos vietcongues no Penico de Dien Bien Phu e o Major Bigeard, com um pé partido, se lançou de pára-quedas, durante a noite, para ficar junto dos seus homens e enfrentar com eles o assalto dos vietcongues, matando ou morrendo!

Esta guerra do Ventor era totalmente diferente. Aqui, o diálogo era entre a vida e a beleza!

Olhem estes amigos do Ventor!

Este estorninho negro observa o Ventor. Ele observa o intruso que vai interferir com o seu trabalho na reparação do seu casarão para 2014

Este aproxima-se e observ a o Ventor

Chapim real

Depois o Ventor foi dar mais uma volta e viu vários amigos, achando muita piada a este chapim que o chamava do cimo da árvore e ele viu-se mal para o ver. Este pássaro queria mesmo conversar com o Ventor e isso valeu-lhe a honra de estar aqui.

Lá está o amigo do Ventor a mobilar a casa de novo. Foi uma beleza vê-los a trabalhar

Este é um  melro, parente do nosso amigo Tobias

A partir daqui foi o diabo. Se não fosse o Ventor, uma águia teria papado este amigo com quem conversou o Ventor e depois, ele e outro foram tomar banho à frente do carro e uma águia veio e pousou sobre uma acácia, pertinho, à esquerda do Ventor. Mas a máquina não penetrava os raminhos finos da acácia, entre o Ventor e a águia. Depois o Ventor disse à águia que teria de ir arranjar almoço a outro lado. Não deixou a águia saltar sobre os melros molhados. Quando os melros tomam banho ou estão de rabo para o ar a tirar uma minhoca da terra, as águias apanham-nos. O Ventor já viu uma águia apanhar um, em Monsanto. Por isso terão de tratar a moela longe do Ventor.
Hoje foi um dia giro para o Ventor, disse-me ele, mas este vosso amigo Pilantras, não tem direito a nada disso.

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Pintassilgo, um dos penudinhos que sempre me encantou

sábado, 10 de outubro de 2020

O falcão peregrino e o Ventor II

 Ventor 10.10.2020

Pedi para me ajudarem a apanhar o falcão. Trouxemos uma manta e ficamos cá fora à espera que o sol rodasse do lado das janelas e, mais um pouco, o espaço ficaria mais escuro. Entretanto evitávamos que o falcão continuasse a massacrar-se contra as janelas. Ouvimos o falcão atirar-se contra uma das janelas e a Tata, com a manta na mão, entrou e viu que o animal estava no chão. Aproximou-se, colocou-lhe a manta em cima e trouxe-o cá para fora tapado.


Disse à Tata para o pousar no chão, destapa-lo e deixar ele decidir. Cá fora, em plena liberdade, espreitou-nos a todos. Éramos sete. O João foi buscar água numa caixa de plástico e ele, calminho, bebericou. O João que não tinha nada para lhe dar, trouxe-lhe um bocado de pão a pensar que ele comia como os melros. Mas o falcão não pegou no pão e, se calhar, até lhe pedia um bife mas, nada!


Na brincadeira, disse-lhe: "não tenhas pressa, estás entre amigos. Fica o tempo que quiseres. Se calhar ainda tenho que te levar à GNR para tomarem conta de ti".
Cheguei a convencer-me que o animal se teria ferido, com toda a sua brutalidade, contra as vidraças. Mas não. Ele fez uma tentativa de se ir embora mas voltou a olhar para nós como a perguntar se estava livre. "Estás livre, se és capaz vai-te embora". Ele até parece que entendeu. Com toda a calma do mundo levantou voo, passou ao lado do eucalipto e foi pousar sobre os paus de madeira que cercavam o local dos rodeios para os cavalos. Olhou para nós e disse: "adeus Ventor, prometo nunca mais voltar a entrar dentro de celeiros ou o que quer que seja".
Levantou voo e foi um prazer conviver uns minutos, em liberdade, com um belo animal que nunca mais esquecerei.
Vem do post anterior.

segunda-feira, 16 de março de 2020

Transição Inverno-Primavera

  Ventor 16.03.2020

Passou sobre mim e, praticamente, todos vós, mais um inverno - o Inverno e a Primavera de 2016.


Como são belas as flores rosa, estas como as flores das malvas, dão um belo tom rosa no verde dos nossos campos

Não fiz grandes caminhadas este inverno mas, ainda deram para observar as flores - as minhas Flores de Inverno. Eu e as flores nunca nos abandonamos. Nem eu a elas nem elas a mim.


Caminhava eu, há dias, na serra da Mira, entre os lírios selvagens, e aqui e ali, me esperavam as papoilas

Olhamos-nos, observamos-nos e, até o meu amigo Apolo sorri lá de cima. Ele sabe que as flores de inverno encantam. Todos os anos, o velho inverno passa o testemunho à sua jovem irmã, sempre acompanhado de flores. As flores nascem e morem todo o ano e, são as flores de inverno as que mais me encantam.


Também o tão amarelo desta espécie de campainhas, lá estava me esperando

Porquê? Talvez porque, nem a dureza do tempo as faça desistir. Elas levantam as suas pétalas para dizerem, "olá, Ventor"


 Caminhando na serra de Sintra estavam as ericas, as minhas belas florezinhas rosadas ...


 ... e, junto, as belas urzes brancas. Bastam elas para me levarem à serra de Sintra

Quando comecei a ter mais tempo para voltar a observar as flores, normalmente, tinha o hábito de esperar a Primavera e o Verão, como nos meus tempos de criança, pelos arredores das minhas Montanhas Lindas. Mas comecei a verificar que, de facto, as flores me observavam a mim, durante todo o ano. E foi no Inverno que eu resolvi observar melhor as flores e escrever sobre elas, neste blog, chamando-lhe, "Flores de Inverno". Com o tempo resolvi mudar-lhes o nome para, "Flores da Vida". Comecei a pensar que, realmente, as flores são a vida de todos nós, são a nossa fonte de vida. Não esqueço as flores do pessegueiro, da macieira, da pereira, da ameixeira ... e, tantas outras. 



Também passei pelo Cabo Raso e lá estavam as flores selvagens do açafrão. Belezas de inverno para animar as minhas caminhadas

Eu observava a sua beleza e, depois, aguardava, dia após dia, a chegada dos frutos que via crescer e esperava que eles amadurecessem e, quantas vezes, os comia verdes, como a maçãs e as peras.




 Também no Cabo Raso, estavam as silene litorea da areia e essas coisinhas brancas de cima, para me animar

Com a chegada da Primavera chegam mais flores que se juntam a tantas outras que existem pelo inverno fora. E não são poucas! Até as papoilas caminham a meu lado, durante o inverno. Já me apercebi que o Inverno não tem coragem de não tratar das flores para que a menina bonita de todos nós, a sua irmãzinha,seja recebida com as suas honras.


Mas pelos nossos campos a brancura de outras silenes rupestris ... 


 ... e o colorido da pervinca, animam as minhas caminhadas

Mas não é só isso! Caminhava, há dias, na serra de Sintra e fui visitar umas urzes brancas, muito especiais, para ver como estavam as suas flores. Do seu interior chegou uma voz. "Tem calma, Ventor, olha que não és só tu que dedicas tempo às flores da urze! Eu sei que tu, tal como eu, gostarias muito de voltar a caminhar entre as urzes roxas. Mas tu e eu temos de nos contentar com estas urzes branquinhas. E não te esqueças que a menina Primavera, voltará a espelhar a sua alegria com a sua auréola de flores, entre as quais estarão as flores da urze branca". Claro que eu continuo a acreditar nos meus amigos duendes! Se não acreditar, o mundo não presta!


 Estas flores que não sei como se chamam, emproam-se para me verem beber o café e comer o travesseiro, por Sintra

Acredito pois! Ela vai chegar hoje às 04:30 horas da manhã e, como não me vai ver, esperará que a luz do nosso amigo Apolo nos alcance e nos faça voltar a rir, dançar, pular, abrir os braços e contemplar tudo o que, apesar de tudo, este mundo ainda tem de belo.




Mas Sintra também é uma terra de camélias que se põem bonitas para receber o Ventor

As flores são lindas e tu trazes mais, Primavera. Espero continuar a caminhar entre as flores que o Inverno nos deixou e aquelas que tu nos trarás.

Bem-vinda, Primavera!

terça-feira, 24 de julho de 2018

A Raposa

   Ventor 24.07.18

Na neve, no frio, no calor, as raposas fartam-se de procurar como alimentar-se pelo ano fora.

 Raposa. Foto do site Pixabay

Mas elas trabalham tanto para arranjar comer que precisam mesmo de descansar e, se for verão e estiver calor. nada melhor que um sítio onde o ar circule bem. Se não há ar condicionado, tem de se inventar.

Raposa. Foto do site Pixabay

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Pintassilgo, um dos penudinhos que sempre me encantou

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Abeleza das papoilas

  ventor 23.07.2018

A beleza das papoilas está sempre presente. Ei-la!



Seja sobre o campo verde ou sobre uma tela, seja sós ou junto de outras flores, elas dão sempre nas vistas.