sexta-feira, 10 de maio de 2024

A Galinha d'Água

 Ventor 10.05.24

Foi assim que a Isabelinha, uma galinha d'água, escreveu ao Quico a dizer-lhe mal da vida, no nosso Planeta Azul.

«Olá, Quico! Eu sou a Isabelinha, uma galinha de água, muito amiga do Ventor.

A nossa amiga galinha de água chamada Isabelinha

Resolvi escrever-te porque corre por aí, de bico em bico, que tu agora irias passar a receber correio de todos os animais que te quisessem comunicar alguma coisa da sua vida. Eu sei que o Ventor já te fez amigo de todos os animais mas que não gostas de sair de casa. Por isso, não podes apreciá-los como o Ventor faz quando, nas suas caminhadas, os procura para falar com eles e ver como eles vivem.

Além do que o Ventor te conta, e o Ventor não mente, conto-te alguma coisa da minha vida e dos meus amigos. Sim porque nós também temos os nossos amigos e não podemos confiar em mais ninguém. Nem nos outros animais de que o Ventor te fala, nem nesses outros animais também de duas patas e que se dizem humanos. Só abrimos uma excepção para o Ventor.

Eu vivo com um grupo de amigas e amigos aqui num ribeiro que mais parece uma espelunca, porque os homens o estragaram. Disseram-me os meus pais antes de os homens os matarem para os comerem, que já os meus avós lhes contavam que os seus avós e os avós dos avós deles, até aos princípios do Mundo, viviam num Paraíso. Já ouviste falar num Paraíso, onde os animais eram todos felizes, Quico? Claro que já! Ou o Ventor não te contasse!

Estes são os únicos verdadeiros amigos que temos. Os dois sofremos intensamente a predação do homem

Pois olha. Aqui onde eu vivo reza a história da nossa ascendência, que era um perfeito Paraíso. Nestes ribeiros em volta de Lisboa, a água era límpida e brilhava todos os dias para Apolo sempre que ele passava arrastando sobre o nosso mundo o seu robe flamejante das cores mais lindas que possas imaginar. As musas das nascentes desciam os ribeiros sempre a cantar, glorificando o Senhor da Esfera, nas alturas e, ao entrarem no rio mais belo do Mundo, o rio Tejo, juntavam-se com as Tágides e dançavam e cantavam todas felizes e mais ainda quando o Ventor aparecia junto com o nosso amigo Apolo.

Às vezes o Apolo ia-se embora e o Ventor ficava por aqui com Diana, a sua amiga e os dois passeavam nos ribeiros e brincavam no meio destes vales cheios de flores maravilhosas, como faziam no Eufrates e noutros rios do Mundo. Depois, mal Apolo partia, as musas das fontes voltavam a subir os ribeiros até às suas nascentes onde adormeciam, e no dia seguinte, logo que Apolo voltava a aparecer, no horizonte, a felicidade das musas fundia-se com a felicidade das galinhas de água e todas juntas voltavam a descer e a subir os rios. As musas pegavam os pintainhos das galinhas de agua, davam-lhe beijinhos e voltavam a colocá-los junto dos pais babados.

Mas hoje já não é assim, Quico! As nossas águas estão tão poluídas, tão poluídas, que até as flores que nascem junto dos ribeiros perderam os seus odores e ficaram sem aqueles perfumes naturais que nos encantavam e ganharam outros odores pestilentos, nauseabundos. Na água aparecem todos os tipos de venenos químicos, além de latas, plásticos, panos, papéis, borrachas, vidros, animais mortos. Um horror, Quico! Se calhar, fazes bem não quereres acompanhar o Ventor!

As ratazanas nadam muito bem. Quando se cruzam connosco, na água, elas mergulham e passam por baixo

Hoje vivemos doentes, com toda a pestilência que nos rodeia. As ratazanas que esperam sempre uma distracção nossa para nos roubarem os nossos filhotes muito pequeninos andam doentes e basta uma dentada deles para que os nossos já não sobrevivam. A nossa grande luta é com o homem e depois com as ratazanas. Aparecem aqui homens piores que as ratazanas. Procuram matar-nos de todas as maneiras que possas imaginar. O Ventor disse-me que quer ele, quer Apolo e todos aqueles que procuram o nosso bem, pelo menos, enquanto vivemos, não conseguem domesticar este animal feroz. E também me disse que não tardará muito, o Senhor da Esfera não dará a esperança de mais uma Barcaça como a do seu amigo Noé!

Mas olha, Quico, podias vir ter connosco um dia destes, pela fresca da manhã ou ao cair da noite, na companhia do Ventor. Verias como tudo que o Ventor te diz e o que eu agora te escrevo, é verdade. Não faças como os humanos que poderiam fazer qualquer coisa pelo seu ambiente e pelo nosso. Não te enclausures na tua concha! Grita ao mundo como está tão errado na forma como se conduz. Vamos morrer todos, Quico! Não eu, ou tu, ou o Ventor. Vão morrer todas as espécies que habitam o 3º Planeta. O Planeta Azul! Um aceno de asa para ti e o nosso amigo, Ventor. Não te mando um "bico" porque te posso pegar as nossas doenças».

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Pintassilgo, um dos penudinhos que sempre me encantou

domingo, 14 de fevereiro de 2021

Os Amigos do Ventor


O Ventor falou-me hoje de velhos amigos.

Belezas do mundo do Ventor

Hoje, o Ventor e a minha Dona deixaram-me só como fazem todos os dias. A minha Dona foi à sua cabeleireira e o Ventor deixou-a lá e foi dar uma caminhada pelo Estádio Nacional.

Depois veio e contou-me coisas sobre a sua caminhada.

Chegou e as fadas de Neptuno, as nuvens como as do Alto da Derrilheira, começaram a ameaçá-lo lá das alturas. Elas começaram a descer e acabaram por se sentar sobre as árvores, algumas velhas acácias, onde os amigos do Ventor fazem os ninhos.

O Ventor chateou-se e avisou as nuvens que, ou sumiam, ou ele fazia queixa delas ao seu amigo Neptuno por lhe estragarem a caminhada. Como o Neptuno cansado de se lançar contra a terra durante todo este inverno, ainda dormia, elas que tinham ido embora, voltaram. O Ventor tinha saído do carro e fora dar uma passeata, ficando logo sob a ameaça delas que sabem que o Ventor não gosta de se molhar. 

Depois, meteu-se no carro e foi ver o casarão dos seus amigos dos dois últimos anos - os estorninhos. Lá andavam eles, na sua azáfama de limpeza e reconstrução das suas velhas casotas.

Entrou pelos vidros do carro dentro aquele velho som de avisos que os estorninhos emitem quando sentem perigo. Mas, um deles reconheceu-o e começou logo a gritar: "Ventor! Ventor! Ventor! ... Com este não há perigo"! Este era o som quando o Ventor chegou. Parecia o som dos pára-quedistas franceses quando estavam cercados pelos vietcongues no Penico de Dien Bien Phu e o Major Bigeard, com um pé partido, se lançou de pára-quedas, durante a noite, para ficar junto dos seus homens e enfrentar com eles o assalto dos vietcongues, matando ou morrendo!

Esta guerra do Ventor era totalmente diferente. Aqui, o diálogo era entre a vida e a beleza!

Olhem estes amigos do Ventor!

Este estorninho negro observa o Ventor. Ele observa o intruso que vai interferir com o seu trabalho na reparação do seu casarão para 2014

Este aproxima-se e observ a o Ventor

Chapim real

Depois o Ventor foi dar mais uma volta e viu vários amigos, achando muita piada a este chapim que o chamava do cimo da árvore e ele viu-se mal para o ver. Este pássaro queria mesmo conversar com o Ventor e isso valeu-lhe a honra de estar aqui.

Lá está o amigo do Ventor a mobilar a casa de novo. Foi uma beleza vê-los a trabalhar

Este é um  melro, parente do nosso amigo Tobias

A partir daqui foi o diabo. Se não fosse o Ventor, uma águia teria papado este amigo com quem conversou o Ventor e depois, ele e outro foram tomar banho à frente do carro e uma águia veio e pousou sobre uma acácia, pertinho, à esquerda do Ventor. Mas a máquina não penetrava os raminhos finos da acácia, entre o Ventor e a águia. Depois o Ventor disse à águia que teria de ir arranjar almoço a outro lado. Não deixou a águia saltar sobre os melros molhados. Quando os melros tomam banho ou estão de rabo para o ar a tirar uma minhoca da terra, as águias apanham-nos. O Ventor já viu uma águia apanhar um, em Monsanto. Por isso terão de tratar a moela longe do Ventor.
Hoje foi um dia giro para o Ventor, disse-me ele, mas este vosso amigo Pilantras, não tem direito a nada disso.

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Pintassilgo, um dos penudinhos que sempre me encantou

sábado, 10 de outubro de 2020

O falcão peregrino e o Ventor II

 Ventor 10.10.2020

Pedi para me ajudarem a apanhar o falcão. Trouxemos uma manta e ficamos cá fora à espera que o sol rodasse do lado das janelas e, mais um pouco, o espaço ficaria mais escuro. Entretanto evitávamos que o falcão continuasse a massacrar-se contra as janelas. Ouvimos o falcão atirar-se contra uma das janelas e a Tata, com a manta na mão, entrou e viu que o animal estava no chão. Aproximou-se, colocou-lhe a manta em cima e trouxe-o cá para fora tapado.


Disse à Tata para o pousar no chão, destapa-lo e deixar ele decidir. Cá fora, em plena liberdade, espreitou-nos a todos. Éramos sete. O João foi buscar água numa caixa de plástico e ele, calminho, bebericou. O João que não tinha nada para lhe dar, trouxe-lhe um bocado de pão a pensar que ele comia como os melros. Mas o falcão não pegou no pão e, se calhar, até lhe pedia um bife mas, nada!


Na brincadeira, disse-lhe: "não tenhas pressa, estás entre amigos. Fica o tempo que quiseres. Se calhar ainda tenho que te levar à GNR para tomarem conta de ti".
Cheguei a convencer-me que o animal se teria ferido, com toda a sua brutalidade, contra as vidraças. Mas não. Ele fez uma tentativa de se ir embora mas voltou a olhar para nós como a perguntar se estava livre. "Estás livre, se és capaz vai-te embora". Ele até parece que entendeu. Com toda a calma do mundo levantou voo, passou ao lado do eucalipto e foi pousar sobre os paus de madeira que cercavam o local dos rodeios para os cavalos. Olhou para nós e disse: "adeus Ventor, prometo nunca mais voltar a entrar dentro de celeiros ou o que quer que seja".
Levantou voo e foi um prazer conviver uns minutos, em liberdade, com um belo animal que nunca mais esquecerei.
Vem do post anterior.

segunda-feira, 16 de março de 2020

Transição Inverno-Primavera

  Ventor 16.03.2020

Passou sobre mim e, praticamente, todos vós, mais um inverno - o Inverno e a Primavera de 2016.


Como são belas as flores rosa, estas como as flores das malvas, dão um belo tom rosa no verde dos nossos campos

Não fiz grandes caminhadas este inverno mas, ainda deram para observar as flores - as minhas Flores de Inverno. Eu e as flores nunca nos abandonamos. Nem eu a elas nem elas a mim.


Caminhava eu, há dias, na serra da Mira, entre os lírios selvagens, e aqui e ali, me esperavam as papoilas

Olhamos-nos, observamos-nos e, até o meu amigo Apolo sorri lá de cima. Ele sabe que as flores de inverno encantam. Todos os anos, o velho inverno passa o testemunho à sua jovem irmã, sempre acompanhado de flores. As flores nascem e morem todo o ano e, são as flores de inverno as que mais me encantam.


Também o tão amarelo desta espécie de campainhas, lá estava me esperando

Porquê? Talvez porque, nem a dureza do tempo as faça desistir. Elas levantam as suas pétalas para dizerem, "olá, Ventor"


 Caminhando na serra de Sintra estavam as ericas, as minhas belas florezinhas rosadas ...


 ... e, junto, as belas urzes brancas. Bastam elas para me levarem à serra de Sintra

Quando comecei a ter mais tempo para voltar a observar as flores, normalmente, tinha o hábito de esperar a Primavera e o Verão, como nos meus tempos de criança, pelos arredores das minhas Montanhas Lindas. Mas comecei a verificar que, de facto, as flores me observavam a mim, durante todo o ano. E foi no Inverno que eu resolvi observar melhor as flores e escrever sobre elas, neste blog, chamando-lhe, "Flores de Inverno". Com o tempo resolvi mudar-lhes o nome para, "Flores da Vida". Comecei a pensar que, realmente, as flores são a vida de todos nós, são a nossa fonte de vida. Não esqueço as flores do pessegueiro, da macieira, da pereira, da ameixeira ... e, tantas outras. 



Também passei pelo Cabo Raso e lá estavam as flores selvagens do açafrão. Belezas de inverno para animar as minhas caminhadas

Eu observava a sua beleza e, depois, aguardava, dia após dia, a chegada dos frutos que via crescer e esperava que eles amadurecessem e, quantas vezes, os comia verdes, como a maçãs e as peras.




 Também no Cabo Raso, estavam as silene litorea da areia e essas coisinhas brancas de cima, para me animar

Com a chegada da Primavera chegam mais flores que se juntam a tantas outras que existem pelo inverno fora. E não são poucas! Até as papoilas caminham a meu lado, durante o inverno. Já me apercebi que o Inverno não tem coragem de não tratar das flores para que a menina bonita de todos nós, a sua irmãzinha,seja recebida com as suas honras.


Mas pelos nossos campos a brancura de outras silenes rupestris ... 


 ... e o colorido da pervinca, animam as minhas caminhadas

Mas não é só isso! Caminhava, há dias, na serra de Sintra e fui visitar umas urzes brancas, muito especiais, para ver como estavam as suas flores. Do seu interior chegou uma voz. "Tem calma, Ventor, olha que não és só tu que dedicas tempo às flores da urze! Eu sei que tu, tal como eu, gostarias muito de voltar a caminhar entre as urzes roxas. Mas tu e eu temos de nos contentar com estas urzes branquinhas. E não te esqueças que a menina Primavera, voltará a espelhar a sua alegria com a sua auréola de flores, entre as quais estarão as flores da urze branca". Claro que eu continuo a acreditar nos meus amigos duendes! Se não acreditar, o mundo não presta!


 Estas flores que não sei como se chamam, emproam-se para me verem beber o café e comer o travesseiro, por Sintra

Acredito pois! Ela vai chegar hoje às 04:30 horas da manhã e, como não me vai ver, esperará que a luz do nosso amigo Apolo nos alcance e nos faça voltar a rir, dançar, pular, abrir os braços e contemplar tudo o que, apesar de tudo, este mundo ainda tem de belo.




Mas Sintra também é uma terra de camélias que se põem bonitas para receber o Ventor

As flores são lindas e tu trazes mais, Primavera. Espero continuar a caminhar entre as flores que o Inverno nos deixou e aquelas que tu nos trarás.

Bem-vinda, Primavera!

terça-feira, 24 de julho de 2018

A Raposa

   Ventor 24.07.18

Na neve, no frio, no calor, as raposas fartam-se de procurar como alimentar-se pelo ano fora.

 Raposa. Foto do site Pixabay

Mas elas trabalham tanto para arranjar comer que precisam mesmo de descansar e, se for verão e estiver calor. nada melhor que um sítio onde o ar circule bem. Se não há ar condicionado, tem de se inventar.

Raposa. Foto do site Pixabay

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Pintassilgo, um dos penudinhos que sempre me encantou