sábado, 22 de junho de 2024

O corvo-marinho apresenta-vos penudos



Corvo-marinho, secando as penas

Este é um corvo-marinho, amigo do Ventor que se vão encontrando no rio Jamor

É uma beleza quando se banha nas águas límpidas do Jamor e se põe a secar as penas ao mesmo tempo que vai conversando com o Ventor. Ele fez-me uma proposta e eu aceitei. 

Todo entusiasmado disse-me: "Ventor porque não colocas num post alguns dos teus amigos penudos, daqueles lindos que tu tens espalhados por aí? Coloca-os aqui que eu apresento-os ao Maralhal. Nem precisarei de piar, ficarei sempre de asas abertas!

Como eu gosto de fazer a vontade aos amigos, cá deixo os meus penudinhos.

 Cá estão eles! São uma beleza, estes amigos do Ventor.

_____________________________________________________________

bird-5483172_1280.jpg

Pintassilgo, um dos animais que me encantou, nas caminhadas da vida

sexta-feira, 21 de junho de 2024

Lucanus Cervus

 Lucanus Cervus ou vaca-loura

Um lucanus cervus vai descolar dessa mão. Ele tem uma missão a de optar pela sua liberdade

As vacas louras ou Lucanus Cervus são escaravelhos. São, dizem os sabidos, os maiores escaravelhos da Europa e damos-lhe vários nomes. Para mim, só muitos anos depois vim a conhecê-los como abadejos.
 

Olhem para esta beleza! A pessoa que o segurou deve ter sentido um grande prazer na sua libertação. Todos temos direito à vida e à liberdade. 

Lucanus Cervus machos, lutando, foto tirada da Pixabay

Lucanos Cervus fêmea

Lá vai ele, o lucanus cervus, em cima, caminhando e observando o seu mundo. É um animal em perigo de extinção. Há pessoas que julgarão uma parvalhice defendermos a continuidade de animais que, aparentemente, não servirão para nada mas estão redondamente enganados. Todo o ser vivo tem a sua missão neste planeta azul e nós como seres racionais, devemos olha-los como companheiros de caminhada. Não é por acaso que é uma espécie protegida pela legislação portuguesa e pela legislação europeia.

As larvas da vaca loura, podem durar de 1 a 5 ou 7 anos e podem atingir 10 centímetros de comprimento. Eu penso que hoje, lá pelos nossos lados, haverá mais hipóteses de as larvas dos lucanus cervus terem mais possibilidade de singrar na vida. No nosso tempo, todas as madeiras eram aproveitadas para lenha, o único combustível, então existente.

Há muitos carvalhos mortos, como este, lá pelas bouças da Assureira, mundo ideal para o lucanus cervus que eu fotografei em 2006. Provavelmente hoje já não existe e não serviu para lenha. Nesse ano eu chorei por esse carvalho

Hoje há muitas madeiras podres a começar por carvalhos mortos cujos troncos apodrecem no chão sem que alguém lhes ligue. Já não têm a importância que tiveram outrora e as larvas têm despensas cheias para destruir 23 cm cúbicos de madeiras podres por dia. Há o senão dos fogos. Claro que os fogos também destroem as larvas das vacas louras como tem acontecido por aí. Os incêndios dos últimos anos, na serra de Soajo, com a destruição dos carvalhos da Brusca, e da mata de carvalhos do rio Ramiscal (entre outros), na serra de Soajo, são um exemplo da caminhada negativa para esta espécie e muitas outras.

Isto tudo vem a propósito porque, há poucos anos, caminhava eu armado em grande observador, pelos jardins de Monserrate, em Sintra e, a dada altura, encarei com um aglomerado de madeiras, como esse da foto em baixo. Fui espreitando e não me apercebia do objectivo daquela madeira. Por fim dei com o post e li, cuidadosamente, para que servia aquele empilhamento de troncos. É um processo que os defensores da biodiversidade têm para defender esse animal fabuloso, o lucanus cervus, que todos que pisam os bosques de carvalhos, e não só, deverão conhecer. Eu conheço-o da Assureira e dos carvalhos do ti Valente a caminho do Marco d'Além, em Adrão, onde uma vez apanhei um desses grandes com umas grandes mandíbulas, a que chamamos cornos.

Depois dessas minhas caminhadas primitivas, lá pelo meu berço, só vi uma vaca loura (macho), o tal Lucanus Cervus, junto de uma barragem no Alentejo e a voar. Ainda tentou pousar numa azinheira mas, por qualquer razão, seguiu voo. Nunca mais vi nenhum ou nenhuma.

Já me tinha apercebido que estes animais correm perigos vários e vivem no limbo da existência, como já por aqui tinha escrito mas, depois de ver aquele amontoado de troncos, acho que devia voltar a dizer algo sobre eles.

Não esqueçam que todos os animais são preciosos na nossa caminhada, neste Planeta Azul.

As larvas da vaca loura chegam a atingir entre 8 a 1o cm e vivem entre 1 a 7 anos, enquanto os lucanus cervus têm uma vida curta de cerca de 15 dias a um mês.

_____________________________________________________________

bird-5483172_1280.jpg

Pintassilgo, um dos animais que me encantou, nas caminhadas da vida

Um mundo Azul nas penas do guarda-rios

É o 50º ano que se comemora este dia que devia ser do interesse de todos. Quando digo todos, é todos mesmo. Em 1970, estava eu em Lisboa, no Monsanto, no GDACI (Grupo de Detecção, Alerta e Conduta de Intersecção), na Força Aérea, quando ouvi falar pela primeira vez, no Dia da Terra. Um colega meu, julgo que era da Polícia Aérea, levava um rádio na mão e, tal como ele, ouvi as notícias que teriam tido origem nos USA.

Agora, a conclusão que tiro é que essa luta pouco ou nada tem valido, quando reparo nas estatísticas dos últimos 50 anos: a população mundial duplicou, o consumo de recursos naturais triplicou, que existem cerca de um milhão de espécies em vias de extinção, que os oceanos têm panelas de sopa de plástico com milhões de km2 de extensão e bateram um recorde de temperaturas o ano que passou - 2019. E recordo-me eu que, no navio Niassa, de regresso a Lisboa, apareceu alguém a descascar laranjas e mandar as cascas para o chão. Apareceu o comandante militar do navio, um coronel do exército: "isto não se faz! Deitam-se para o mar que o mar absorve tudo"! Pois!

Guarda-rios, um penudo lindo, daqueles que caminham ao lado do Ventor

Também verificamos que o nosso planeta está cada vez mais a caminhar para o seu fim. Por este andar será uma questão de tempo para ser um planeta morto. Apesar de se tentar fazer alguma coisa para inverter tudo isto, somos obrigados a concluir que é pouco e que o plano de salvação da Terra se inclina cada vez mais.

Vejam o que se passa, como exemplo, com os glaciares existente nos Alpes suíços, com os glaciares da Antárctida, entre outras formas de como o aumento da temperatura vai "incinerando", passe a expressão, o nosso mundo e, ainda por cima, como ainda existe gente, na cambada política mundial que, geralmente, não passa cartão àquilo que nos entra todos os dias pelos olhos dentro - a morte acelerada do nosso planeta.

Eu posso dizer que, a partir de 2.000 me apercebi que alguma coisa foi feita nos arredores de Lisboa. Limparam-se os riachos completamente podres e mal cheirosos, onde os bichos, peixes e outros, não sobreviviam a não ser ratazanas e com essa limpeza, começaram a aparecer os peixes, passarada e, entre estes, os guarda-rios que como sabemos, eles só vão colorir de azul ribeiros com peixe. Podia passar aqui o dia todo a teclar para escrever tanta coisa que nos irá matar e não será só o coronavírus. Este apenas vem agravar e acelerar a nossa caminhada no planeta Terra.

Olhem-me esta beleza.



O nosso mundo é belo não o deixemos morrer. Quando um guarda-rios apanha peixe, significa que não há poluição, por isso eu o coloco aqui para exemplificar as melhorias dos nossos rios

________________________________________________________________________________

bird-5483172_1280.jpg

Pintassilgo, um dos animais que me encantou, nas caminhadas da vida

quinta-feira, 20 de junho de 2024

Nos Cornos da vaca-loura


Hoje, fomos almoçar a um desses "buracos" italianos ou semelhante e, para fazer companhia ao João, dediquei-me ou dedicamo-nos aos canelonis. Só os putos me desviam dos meus trilhos.

Quando subia a Av. Infante Santo, para ir buscar o carro, encontrei um besouro negro de patas para o ar, morto. Toquei-lhe, levemente, com o sapato para confirmar o óbito e, sem dúvida, passei a certidão. Tirei-o do passeio, junto ao tronco de uma árvore descamisada e coloquei-o no meio da relva, fora do passeio, entre flores amarelas das azedas.

Todo o bicho que vejo morto, imprime no meu cérebro, algo sobre esse mistério a que chamamos morte. E, fico a pensar, com toda a curiosidade, nesse mistério, ou mistérios, da vida e da morte. Tenho na ideia que, em Adrão, não há flores amarelas das azedas, pelo menos não me recordo da sua existência por lá e também não haverão besouros negros como o que hoje vi morto e que, por aqui, há muitos. Para mim foi uma novidade, juntar o besouro negro ao verde das ervas e ao amarelo das flores das azedas.

Depois fiquei a pensar em muitos bichos que têm os seus nichos onde fazem prosperar a sua vida, uns em Adrão, outros bem longe, por outros azimutes e, tanto eles como nós, morremos e abalamos para um outro mundo desconhecido, deixando o nosso corpo em qualquer esquina deste nosso mundo.

De repente, depois desse acto fúnebre, lembrei-me de outros bichos, como os escaravelhos que apanham as minhocas para comer, se calhar são todos e de outros insectos como as abelhas sobre as quais estudei algo que me diz que a abelha tem uma vida média de 42 dias. Creio que não sonhei isto, devo ter visto em qualquer lado!

Saltando de bicho em bicho, fui parar à vaca-loura! 

 

 Uma vaca-loura ou lucano; foto tirada da Wikipédia

Que comerá a vaca-loura? Será apenas vegetariana? Come folhas, rebentos, ... e que mais? Será que também devora minhocas e outros vermes como outros escaravelhos?

As vacas-louras são uns bichos dignos de partilharem das caminhadas do Ventor. Não imaginam  o que eu tenho feito para tentar obter uma vaca-loura e fazer com que ela caminhe a meu lado! Eu encontrava vacas-louras, desde as suas larvas, sob as cascas dos carvalhos de Adrão. Pela Açoreira, Curral das Cabras, sei lá, de vez em quando, encontrava grandes larvas de vacas-louras (levam 7 anos a tornarem-se bicho adulto) e via aqueles mastodontes adultos a voarem em volta da minha cabeça, rumando com destino a algures. Tirando Adrão, encontrei uma vez uma, junto a uma barragem no Alentejo e quase a fotografei quando pousou num sobreiro à minha frente mas, quando me viu armado em paparazzi, arrancou para nunca mais a ver.

 

 Um escaravelho conhecido por Hércules; foto tirada da Wikipédia

lhas ou, então, se ela se zangasse com o faraó Que andava esse bicharoco a fazer pelo Alentejo? Ali só havia sobreiros e azinheiras, mas ninguém me garante que não haveria carvalhos por ali, algures, bem perto. Mas também pode ser que esses bicharocos se procriem sob a casca de sobreiros ou azinheiras, ou os dois. Tenho visto representados, em fotos de Obras de Arte egípcias, vários escaravelhos e sei que os escaravelhos existem por muitos sítios do mundo, mas desconheço se alguma vez, lá pelo Egipto dos Faraós, apareceu uma vaca-loura. Se aparecesse, o Faraó estaria tramado para mandar fazer uns brincos de ouro e marfim, do tamanho da vaca-loura para uma das suas consortes mais egoísta. Ou a sua consorte ficaria sem oree lhe arremessa-se o brinco, teriam funeral!



Um escaravelho, uma da belas espécies de Coleópteros; foto tirada da Wikipédia

As vacas-louras ou lucanos como dizem os espanhóis e se calhar por cá também, são uma família que pertence à ordem dos coleópteros e, para quem ainda não sabe, existem, nesta ordem, mais de 350.000 espécies, sendo, segundo dizem alguns especialistas, a vaca-loura o maior coleóptero existente na Europa.

Será que voltarei a encontrar, por Adrão, uma belíssima vaca-loura? Haviam pessoas quando eu era miúdo que possuíam belíssimos cornos de vacas-louras, pendurados ao pescoço ou na carteira, para utilizar como força contra o azar, o mau olhado, as bruxas, ou os três.

Não me importava de ter uma coisa dessas!


 

A Flor de Açafrão


Elas enfeitam o mundo

Esperei, caminhei pouco e ela já foi!


A Primavera bela como sempre

Não me importo que ela venha vestida de qualquer cor, até pode ser de vermelho. Ela andou a colher flores do seu irmão inverno para me trazer juntamente com as dela.


Flor do açafrão bravo

A Primavera falou-me várias vezes no Cabo Raso, e também, através da flor do açafrão bravo. Eu não contava com elas por ali mas lá estava ela a incutir-me esperança de que a vida continua e, as flores são o melhor indicador. 

Até para o ano, companheira.

 ________________________________________________________________________________

bird-5483172_1280.jpg

Pintassilgo, um dos animais que me encantou, nas caminhadas da vida