quinta-feira, 20 de junho de 2024

Um romeiro de Santiago descansando em Burgos

O fim do caminho!

A História e a Lenda na miscelânea das minhas Caminhadas de Sonhos.

Já todos nós ouvimos falar nos Caminhos de Santiago. Já muitos de nós andamos por alguns dos caminhos que levam milhares de romeiros até Santiago de Compostela. De carro ou a pé, já muitos de nós circulamos por caminhos que, há mais de mil anos nos dizem ser os Caminhos de Santiago, um dos discípulos de Cristo que segundo a lenda, caminhando nos seus próprios caminhos, chegou até à Galiza. 


O túmulo de Santiago, na sua Catedral, em Santiago de Compostela - foto wiki

Santiago é o Santo de Grandes Batalhas!

Através da História e, já por séculos, nas grandes batalhas deste nosso mundo, se tem gritado por Santiago.

Por Santiago, em Portugal e na Espanha;

By S. James, no mundo dos ingleses;

Pour S. Jacques, em França e, assim por diante noutras nações.



A primitiva Planta da Catedral de Santiago de Compostela, no séc. XII - foto wiki

Conta a História ou a Lenda, ou as duas que, uma vez, quando o exército cristão estava prestes a ser absorvido pelo grande número dos sarracenos, nos tempos da libertação da Península Ibérica, Santiago, saído do Céu, montado no seu cavalo branco, começou a matar mouros. Por isso, passaram a chamar-lhe, também, Santiago Mata-Mouros. Matasse mouros ou não, a verdade é que ele é o patrono de muitos combatentes, quer no seu universo colectivo, quer no seu universo individual. E a lenda reza assim:

 - em 844 D.C., deu-se a batalha de Clavijo, em La Rioja que, segundo reza a lenda, Ramiro I das Astúrias, havia resolvido não pagar tributo aos emires árabes, especialmente, o tributo das 100 donzelas. Naquela discussão de "pagas", do lado dos árabes e de "não pagamos", do lado dos cristãos, Ramiro I preparou um exército e marchou contra o, então, "emir cordobés", Abderramão II e, ao chegar junto das localidades de Albelda e Najera, viram-se cercados por um poderoso exército sarraceno e, Ramiro I, com o seu exército, tiveram de se refugiar no castelo de Clavijo. Ali, enquanto dormia, Ramiro I, teve um sonho e, nesse sonho, apareceu-lhe Santiago a incentivá-lo a ir a batalha que também estaria a seu lado. Perante isso, Ramiro I decidiu enfrentar os mouros. No dia seguinte, logo que começou a batalha, apareceu, vindo do Céu, montado no seu cavalo branco, de espada em riste, o Apóstolo Santiago e, a partir daí, ficou conhecido como Santiago Mata-Mouros. Venceram esta batalha e dizem as lendas que Santiago participou em várias batalhas na Reconquista Cristã da Península Ibérica.

Não é por acaso que, segundo dizem os especialistas, Santiago de Compostela é considerado o 3º maior Centro Católico da Cristandade, logo a seguir aos dois maiores - Jerusalém e Roma.

Não sei se é, nem sei se durante os meus tempos de soldado de Portugal, alguma vez me lembrei de Santiago. Se não me lembrei dele, peço-lhe desculpa, pois já lhe agradeci, frente à sua porta, em Compostela, o facto de me ter ajudado sem que eu lhe tenha pedido. Por isso, acredito que ele saiba velar por quem lhe quer bem!

Um dia, quase à hora do sol se pôr, estive frente a frente com Santiago. Ele dentro e eu fora da sua grande Catedral.

Já tenho pensado se o cavalo com que tanto tenho sonhado, o Antar, não será o cavalo de Santiago, emprestado nos momentos de meus sonhos de aflição.


O Romeiro e o Ventor 

O meu amigo romeiro, um dos peregrinos caminhantes pelos caminhos de Santiago, descansando num banco, frente à Catedral de Burgos. Ali, numa tarde de Julho de 2007,  conversamos sobre os vários trajectos utilizados. Este caminho de Santiago, recebe os franceses que entram pelo desfiladeiro de Roncesvales, vindos de vários pontos da Europa e da França e outros que vindos de outros pontos, como Itália, vêm pelo sul de França e passam por Toulouse, Oleron, Jaca e encontram-se com os que vêm de Roncesvales, entre Pamplona e Puente La Reina, seguindo juntos por Puente la Reina, Logroño, Burgos, Leão, Astorga, Ponferrada e Santiago - o fim do caminho

Quando passo pelos Caminhos de Santiago, aquele símbolo que nos aparece no cimo do marco, a tal concha que dizem ter a forma de uma vieira, a mim mais me parece serem os raios do meu amigo Apolo que, certamente, os peregrinos desejarão ter por companhia, pois acredito que, tal como eu, a companhia de Apolo é sempre desejável e poderemos aprender a aproveitar as frescas.

Mas os Caminhos de Santiago que serão, certamente, caminhos de gente de bem, também serão caminhos de gente do mal. Gente de todos os tipos.

Sabemos que, pelos caminhos da Rota da Prata  (era uma estrada romana que levava a prata do Norte de Espanha para o sul, e prolongava-se de Astorga a Cádiz), caminham de sul para norte, desde Sevilha e da região da Andaluzia muitos romeiros que são fiéis devotos de Santiago mas, sabemos também que, pelos mesmos caminhos, fizeram grandes caminhadas os mouros de Almansor e que, pelo caminho, só tinham por "devoção" levar a morte e a destruição, às terras cristãs da Península Ibérica. Assim, pelo caminho, foram pilhando, destruindo e matando localidades e gentes. Sobre o ódio de Almansor, foram destruídas muitas localidades como Coimbra, Salamanca, Astorga, Zamora, Lugo, Santiago de Compostela e outras, ... Em Santiago de Compostela, Almansor, em 997, destruiu a cidade e o Templo Romano que albergava o túmulo de Santiago e, embora respeitando o seu túmulo, obrigou os prisioneiros cristãos a transportar os sinos de Santiago pela mesma via da Rota da Prata, até Córdoba.



Aqui, um dos muitos marcos, pilares de orientação dos romeiros nas suas caminhadas pelos célebres caminhos de Santiago que se vêm por várias estradas de Espanha, Portugal, França  ... Este, foi encontrado próximo de Astorga, quando, em 2007, caminhávamos de León para Astorga, vindos de outras "romarias" e, pelos mesmos ou outros caminhos de Santiago que, acredito, terá observado ao lado do Ventor, o que as mãos de Deus têm feito nessa outra Catedral a que chamamos Picos da Europa, onde muitos de nós caminhamos e observamos, extasiados, belezas infinitas, talhadas pela obra prodigiosa da parceria, entre Deus, o Homem e a Natureza  

Porém, neste mundo, cá se fazem, cá se pagam. Em 1236, 239 anos depois da destruição de Santiago de Compostela, nessa guerra de dá e leva chamada de Reconquista Cristã, o exército de Fernando II de Leão e Castela, avançou sobre Córdoba que conquistou e, de imediato, lembrou-se de obrigar os prisioneiros mouros a regressar, na mesma Rota da Prata, com os sinos que 239 anos antes tinham retirado do Templo Romano de Compostela.

Além desse romeiro de Burgos, conheço apenas um romeiro pedestre que tentou fazer uma caminhada num dos caminhos de Santiago. Ele e mais três companheiros dessa caminhada, saíram da Senhora da Peneda, a pé, rumo a Santiago de Compostela mas, por azar ou incúria, nunca lá chegaram de "pata no chão"! Ficaram a alguns quilómetros.

Eu nunca compraria uns ténis novos ou umas botas novas para iniciar tão grande caminhada. Recordar-me-ia logo das bolhas. Nunca como uns ténis ou botas habituados ao massacre ou, então, valeria mais usar o "par de botas" de outros caminhantes, batidos por trilhos bem mais duros que os dos Caminhos de Santiago.

Como não tenho as fotos que gostaria de apresentar aqui, porque não as encontro ou são slides, deixo-vos este vídeo do YouTube (enquanto eles deixarem) que mostra algumas das imagens dessa bela Catedral de Santiago de Compostela

Mas, também me apetece recordar um puto que esteve em Santiago de Compostela, quando da visita de Marcelo Caetano, em 1970 (?), creio. Juntamo-nos numa esplanada, na Costa da Caparica e, aí, nos falou da sua caminhada por Santiago de Compostela. Mas, quando nos falava dos discursos de Marcelo Caetano, então Primeiro Ministro português, e de outros, rematou: "eles falavam, mas eu só ouvia as pedras da Catedral. Nem imaginam como aquelas pedras falavam comigo"!

A Flor de Açafrão

 Ventor 21.05.24


Elas enfeitam o mundo

Esperei, caminhei pouco   e ela já foi


A Primavera bela como sempre

Não me importo que ela venha vestida de qualquer cor, até pode ser de vermelho. Ela andou a colher flores do seu irmão inverno para me trazer juntamente com as dela.



Flores do açafrão bravo

A Primavera falou-me várias vezes no Cabo Raso, e também, através da flor do açafrão bravo. Eu não contava com elas por ali mas lá estava ela a incutir-me esperança de que a vida continua e, as flores são o melhor indicador.

Até para o ano, companheira.
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Pintassilgo, um dos penudinhos que sempre me encantou

terça-feira, 21 de maio de 2024

Grevillea Robusta

 Ventor 21.05.24

Esta é a árvore que predomina na minha avenida.

Parece-me a mim e a outros que não é a árvore que agrada a todos. Antes pelo contrário, desagrada a todos que arrumam os carros nesta avenida. Já estou por aqui há uns bons pares de anos e acho que ela é terrífica para os carros e seus proprietários.

Trata-se de uma árvore de origem australiana, a que os experts dão o nome de gravíllea robusta, originária da costa leste da Austrália. Possui umas folhas semelhantes às de vários fetos com cerca de 15 centímetros e umas flores douradas muito vistosas com cerca de 15 a 30 centímetros.

Os australianos também lhe dão o nome de carvalhos sedosos ou outros. 

Sendo eu um defensor da Natureza e da globalização, em geral, não me sinto com coragem de incentivar a Freguesia de Massamá e a Câmara de Sintra a substituir as árvores por outras mais adequadas mas, achava bem que não fizessem a sua proliferação por locais onde se torna causadora de grandes prejuízos.

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segunda-feira, 20 de maio de 2024

No Lugar do Sol

   Ventor 20.05.24

No Lugar do Sol, as flores estão por todo o lado.

Elas são sempre companheiras do Ventor

Belezas azuis, como não podia deixar de ser ... 

... acompanhadas por belezas rosas

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sexta-feira, 10 de maio de 2024

A Galinha d'Água

 Ventor 10.05.24

Foi assim que a Isabelinha, uma galinha d'água, escreveu ao Quico a dizer-lhe mal da vida, no nosso Planeta Azul.

«Olá, Quico! Eu sou a Isabelinha, uma galinha de água, muito amiga do Ventor.

A nossa amiga galinha de água chamada Isabelinha

Resolvi escrever-te porque corre por aí, de bico em bico, que tu agora irias passar a receber correio de todos os animais que te quisessem comunicar alguma coisa da sua vida. Eu sei que o Ventor já te fez amigo de todos os animais mas que não gostas de sair de casa. Por isso, não podes apreciá-los como o Ventor faz quando, nas suas caminhadas, os procura para falar com eles e ver como eles vivem.

Além do que o Ventor te conta, e o Ventor não mente, conto-te alguma coisa da minha vida e dos meus amigos. Sim porque nós também temos os nossos amigos e não podemos confiar em mais ninguém. Nem nos outros animais de que o Ventor te fala, nem nesses outros animais também de duas patas e que se dizem humanos. Só abrimos uma excepção para o Ventor.

Eu vivo com um grupo de amigas e amigos aqui num ribeiro que mais parece uma espelunca, porque os homens o estragaram. Disseram-me os meus pais antes de os homens os matarem para os comerem, que já os meus avós lhes contavam que os seus avós e os avós dos avós deles, até aos princípios do Mundo, viviam num Paraíso. Já ouviste falar num Paraíso, onde os animais eram todos felizes, Quico? Claro que já! Ou o Ventor não te contasse!

Estes são os únicos verdadeiros amigos que temos. Os dois sofremos intensamente a predação do homem

Pois olha. Aqui onde eu vivo reza a história da nossa ascendência, que era um perfeito Paraíso. Nestes ribeiros em volta de Lisboa, a água era límpida e brilhava todos os dias para Apolo sempre que ele passava arrastando sobre o nosso mundo o seu robe flamejante das cores mais lindas que possas imaginar. As musas das nascentes desciam os ribeiros sempre a cantar, glorificando o Senhor da Esfera, nas alturas e, ao entrarem no rio mais belo do Mundo, o rio Tejo, juntavam-se com as Tágides e dançavam e cantavam todas felizes e mais ainda quando o Ventor aparecia junto com o nosso amigo Apolo.

Às vezes o Apolo ia-se embora e o Ventor ficava por aqui com Diana, a sua amiga e os dois passeavam nos ribeiros e brincavam no meio destes vales cheios de flores maravilhosas, como faziam no Eufrates e noutros rios do Mundo. Depois, mal Apolo partia, as musas das fontes voltavam a subir os ribeiros até às suas nascentes onde adormeciam, e no dia seguinte, logo que Apolo voltava a aparecer, no horizonte, a felicidade das musas fundia-se com a felicidade das galinhas de água e todas juntas voltavam a descer e a subir os rios. As musas pegavam os pintainhos das galinhas de agua, davam-lhe beijinhos e voltavam a colocá-los junto dos pais babados.

Mas hoje já não é assim, Quico! As nossas águas estão tão poluídas, tão poluídas, que até as flores que nascem junto dos ribeiros perderam os seus odores e ficaram sem aqueles perfumes naturais que nos encantavam e ganharam outros odores pestilentos, nauseabundos. Na água aparecem todos os tipos de venenos químicos, além de latas, plásticos, panos, papéis, borrachas, vidros, animais mortos. Um horror, Quico! Se calhar, fazes bem não quereres acompanhar o Ventor!

As ratazanas nadam muito bem. Quando se cruzam connosco, na água, elas mergulham e passam por baixo

Hoje vivemos doentes, com toda a pestilência que nos rodeia. As ratazanas que esperam sempre uma distracção nossa para nos roubarem os nossos filhotes muito pequeninos andam doentes e basta uma dentada deles para que os nossos já não sobrevivam. A nossa grande luta é com o homem e depois com as ratazanas. Aparecem aqui homens piores que as ratazanas. Procuram matar-nos de todas as maneiras que possas imaginar. O Ventor disse-me que quer ele, quer Apolo e todos aqueles que procuram o nosso bem, pelo menos, enquanto vivemos, não conseguem domesticar este animal feroz. E também me disse que não tardará muito, o Senhor da Esfera não dará a esperança de mais uma Barcaça como a do seu amigo Noé!

Mas olha, Quico, podias vir ter connosco um dia destes, pela fresca da manhã ou ao cair da noite, na companhia do Ventor. Verias como tudo que o Ventor te diz e o que eu agora te escrevo, é verdade. Não faças como os humanos que poderiam fazer qualquer coisa pelo seu ambiente e pelo nosso. Não te enclausures na tua concha! Grita ao mundo como está tão errado na forma como se conduz. Vamos morrer todos, Quico! Não eu, ou tu, ou o Ventor. Vão morrer todas as espécies que habitam o 3º Planeta. O Planeta Azul! Um aceno de asa para ti e o nosso amigo, Ventor. Não te mando um "bico" porque te posso pegar as nossas doenças».

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Pintassilgo, um dos penudinhos que sempre me encantou