sábado, 10 de outubro de 2020

O falcão peregrino e o Ventor II

 Ventor 10.10.2020

Pedi para me ajudarem a apanhar o falcão. Trouxemos uma manta e ficamos cá fora à espera que o sol rodasse do lado das janelas e, mais um pouco, o espaço ficaria mais escuro. Entretanto evitávamos que o falcão continuasse a massacrar-se contra as janelas. Ouvimos o falcão atirar-se contra uma das janelas e a Tata, com a manta na mão, entrou e viu que o animal estava no chão. Aproximou-se, colocou-lhe a manta em cima e trouxe-o cá para fora tapado.


Disse à Tata para o pousar no chão, destapa-lo e deixar ele decidir. Cá fora, em plena liberdade, espreitou-nos a todos. Éramos sete. O João foi buscar água numa caixa de plástico e ele, calminho, bebericou. O João que não tinha nada para lhe dar, trouxe-lhe um bocado de pão a pensar que ele comia como os melros. Mas o falcão não pegou no pão e, se calhar, até lhe pedia um bife mas, nada!


Na brincadeira, disse-lhe: "não tenhas pressa, estás entre amigos. Fica o tempo que quiseres. Se calhar ainda tenho que te levar à GNR para tomarem conta de ti".
Cheguei a convencer-me que o animal se teria ferido, com toda a sua brutalidade, contra as vidraças. Mas não. Ele fez uma tentativa de se ir embora mas voltou a olhar para nós como a perguntar se estava livre. "Estás livre, se és capaz vai-te embora". Ele até parece que entendeu. Com toda a calma do mundo levantou voo, passou ao lado do eucalipto e foi pousar sobre os paus de madeira que cercavam o local dos rodeios para os cavalos. Olhou para nós e disse: "adeus Ventor, prometo nunca mais voltar a entrar dentro de celeiros ou o que quer que seja".
Levantou voo e foi um prazer conviver uns minutos, em liberdade, com um belo animal que nunca mais esquecerei.
Vem do post anterior.

segunda-feira, 16 de março de 2020

Transição Inverno-Primavera

  Ventor 16.03.2020

Passou sobre mim e, praticamente, todos vós, mais um inverno - o Inverno e a Primavera de 2016.


Como são belas as flores rosa, estas como as flores das malvas, dão um belo tom rosa no verde dos nossos campos

Não fiz grandes caminhadas este inverno mas, ainda deram para observar as flores - as minhas Flores de Inverno. Eu e as flores nunca nos abandonamos. Nem eu a elas nem elas a mim.


Caminhava eu, há dias, na serra da Mira, entre os lírios selvagens, e aqui e ali, me esperavam as papoilas

Olhamos-nos, observamos-nos e, até o meu amigo Apolo sorri lá de cima. Ele sabe que as flores de inverno encantam. Todos os anos, o velho inverno passa o testemunho à sua jovem irmã, sempre acompanhado de flores. As flores nascem e morem todo o ano e, são as flores de inverno as que mais me encantam.


Também o tão amarelo desta espécie de campainhas, lá estava me esperando

Porquê? Talvez porque, nem a dureza do tempo as faça desistir. Elas levantam as suas pétalas para dizerem, "olá, Ventor"


 Caminhando na serra de Sintra estavam as ericas, as minhas belas florezinhas rosadas ...


 ... e, junto, as belas urzes brancas. Bastam elas para me levarem à serra de Sintra

Quando comecei a ter mais tempo para voltar a observar as flores, normalmente, tinha o hábito de esperar a Primavera e o Verão, como nos meus tempos de criança, pelos arredores das minhas Montanhas Lindas. Mas comecei a verificar que, de facto, as flores me observavam a mim, durante todo o ano. E foi no Inverno que eu resolvi observar melhor as flores e escrever sobre elas, neste blog, chamando-lhe, "Flores de Inverno". Com o tempo resolvi mudar-lhes o nome para, "Flores da Vida". Comecei a pensar que, realmente, as flores são a vida de todos nós, são a nossa fonte de vida. Não esqueço as flores do pessegueiro, da macieira, da pereira, da ameixeira ... e, tantas outras. 



Também passei pelo Cabo Raso e lá estavam as flores selvagens do açafrão. Belezas de inverno para animar as minhas caminhadas

Eu observava a sua beleza e, depois, aguardava, dia após dia, a chegada dos frutos que via crescer e esperava que eles amadurecessem e, quantas vezes, os comia verdes, como a maçãs e as peras.




 Também no Cabo Raso, estavam as silene litorea da areia e essas coisinhas brancas de cima, para me animar

Com a chegada da Primavera chegam mais flores que se juntam a tantas outras que existem pelo inverno fora. E não são poucas! Até as papoilas caminham a meu lado, durante o inverno. Já me apercebi que o Inverno não tem coragem de não tratar das flores para que a menina bonita de todos nós, a sua irmãzinha,seja recebida com as suas honras.


Mas pelos nossos campos a brancura de outras silenes rupestris ... 


 ... e o colorido da pervinca, animam as minhas caminhadas

Mas não é só isso! Caminhava, há dias, na serra de Sintra e fui visitar umas urzes brancas, muito especiais, para ver como estavam as suas flores. Do seu interior chegou uma voz. "Tem calma, Ventor, olha que não és só tu que dedicas tempo às flores da urze! Eu sei que tu, tal como eu, gostarias muito de voltar a caminhar entre as urzes roxas. Mas tu e eu temos de nos contentar com estas urzes branquinhas. E não te esqueças que a menina Primavera, voltará a espelhar a sua alegria com a sua auréola de flores, entre as quais estarão as flores da urze branca". Claro que eu continuo a acreditar nos meus amigos duendes! Se não acreditar, o mundo não presta!


 Estas flores que não sei como se chamam, emproam-se para me verem beber o café e comer o travesseiro, por Sintra

Acredito pois! Ela vai chegar hoje às 04:30 horas da manhã e, como não me vai ver, esperará que a luz do nosso amigo Apolo nos alcance e nos faça voltar a rir, dançar, pular, abrir os braços e contemplar tudo o que, apesar de tudo, este mundo ainda tem de belo.




Mas Sintra também é uma terra de camélias que se põem bonitas para receber o Ventor

As flores são lindas e tu trazes mais, Primavera. Espero continuar a caminhar entre as flores que o Inverno nos deixou e aquelas que tu nos trarás.

Bem-vinda, Primavera!

terça-feira, 24 de julho de 2018

A Raposa

   Ventor 24.07.18

Na neve, no frio, no calor, as raposas fartam-se de procurar como alimentar-se pelo ano fora.

 Raposa. Foto do site Pixabay

Mas elas trabalham tanto para arranjar comer que precisam mesmo de descansar e, se for verão e estiver calor. nada melhor que um sítio onde o ar circule bem. Se não há ar condicionado, tem de se inventar.

Raposa. Foto do site Pixabay

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Pintassilgo, um dos penudinhos que sempre me encantou

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Abeleza das papoilas

  ventor 23.07.2018

A beleza das papoilas está sempre presente. Ei-la!



Seja sobre o campo verde ou sobre uma tela, seja sós ou junto de outras flores, elas dão sempre nas vistas.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Ventor no Poulo dos Cagordos

  Ventor 12.12.17

O Ventor diz-me que há no nosso mundo, pontos de referência que nunca esquecemos e esses pontos têm várias cambiantes. Há as grandes cidades praticamente todas iguais na vivência humana. A locomoção é a mesma em todas elas. Carros, aeroportos e aviões, linhas férreas e comboios, navios, ónibus, machibumbos, eléctricos, ... Ou então, transformamos essas cidades em corredores da história e olhamos a sua face mais rugosa dos séculos que as moldaram.

Olhamos os seus palácios, os seus castelos, as suas confrontações entre o velho e o novo. Utilizamos os seus nomes e, à medida que pronunciamos esses nomes sentimos que essa sonoridade se entranha em nós. Por exemplo: o Ventor diz-me que se pronunciar nomes como Granada, como Córdoba, como Valencia, como Paris, como Berlim, Varsóvia ou qualquer outra, tudo se conjuga para fazermos várias caminhadas.

Mas agora reparem nestes dois animais, estes belos garraninhos e em tantos outros que passam por aqui, nos nossos blogs..

Filhotes garranos a tornarem-se rapazotes

Estes, o Ventor observou-os o ano passado no Poulo dos Cagordos, nos montes da Assureira. Diz o Ventor que nestas circunstâncias o mundo é outro completamente diferente dos focados atrás. Aqui, olhar os garraninhos é como se revivesse mais de meio século para trás e fizesse a sua própria história com estas belezas sempre a caminhar a seu lado.

As mamãs descansam mas sempre de olho nos seus rapazotes que aprendem a viver e a reconhecer o seu mundo

Era assim há 60 anos, há 50 anos, há 40,  há 30, ... há um! Apenas há, a mais, os pinheiros que se vêm do Poulo dos Cagordos, fazendo caminhar os nossos olhos sobre as Fontes até ao Poulo da Fraga. De resto está lá tudo! Os cavalos, as vacas, as montanhas galegas, a Derrilheira do lado contrário a rebocar todas as montanhas de Adrão, rumo à Pedrada, a serra Amarela de quem ninguém fala, Bordença, Soajo, até lá está o cortelho de pedra onde se abrigavam do mau tempo, o guarda Lameira, o Zé Ribeiro, o pai do Ventor, o Ventor e tantos outros.

Ali sentado um pouco a observar todas aquelas paisagens envolventes, diz-me o Ventor que lhe saíam do chão e, por entre os fetos, aquele som familiar dos tamancos daqueles velhos amigos que ainda por lá caminham sempre que o Ventor por lá passa

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Pintassilgo, um dos penudinhos que sempre me encantou