A morte
cerca-nos

- Ventor
- 23.08.05


Os
sobreiros estão a morrer


Os
freixos estão a morrer


Os
matos e herbáceas estão mortos

As
sementes dos sanguino não resistem e as folhas estão a murchar



Mas
é preciso fazer pela vida


Ainda há frutos que podem matar ou que podem ser
sustentáculo de vida
Ontem fui dar
uma caminhada e só vi um melro e uma águia. Pela primeira vez não vi os meus
amigos gaios. Vi também os sempre acompanhantes pardais e pintassilgos, mas
verifiquei que a vida não está boa para nenhum deles. Este ano de 2005 vai
marcar-nos por muito tempo. É a seca, são os incêndios, ... é a calinice de
muita gente, enquanto outros são atingidos pela exaustão de trabalhos que não
dá para acreditar que é verdade!
As pessoas, nós todos, somos
demasiado passivos! Uns por calinice, outros por incompetência. A incompetência
brada aos céus e só quem adormeceu não vê! Os fautores de leis querem "é o
deles" no fim do mês e outros são uma nossa senhora não te rales. Como é
possível permitir que se viva cercado de matos? Como é possível que ninguém
faça cumprir os regulamentos estipulados? Como é possível esperar que o inferno
nos cerque permanentemente? Há casas instaladas no meio de autênticos matagais
para fazer sombras, ou para servir de barris de pólvora? Como é possível que
ninguém ligue ao que se passa antes dos incêndios? Só depois? Depois, como
podemos verificar, é tarde! E assim vamos nós caminhando neste planeta cheio de
arrelias e de permanentes lutas para que a vida continue. Mas eu acho que os
fautores da morte é que estão bem vivos!
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