terça-feira, 23 de agosto de 2005

A morte cerca-nos

  •  Ventor 23.08.05


Os sobreiros estão a morrer



Os freixos estão a morrer



Os matos e herbáceas estão mortos


As sementes dos sanguinho não resistem e as folhas estão a murchar





Mas é preciso fazer pela vida




Ainda há frutos que podem matar ou que podem ser sustentáculo de vida

Ontem fui dar uma caminhada e só vi um melro e uma águia. Pela primeira vez não vi os meus amigos gaios. Vi também os sempre acompanhantes pardais e pintassilgos, mas verifiquei que a vida não está boa para nenhum deles. Este ano de 2005 vai marcar-nos por muito tempo. É a seca, são os incêndios, ... é a calinice de muita gente, enquanto outros são atingidos pela exaustão de trabalhos que não dá para acreditar que é verdade!

As pessoas, nós todos, somos demasiado passivos! Uns por calinice, outros por incompetência. A incompetência brada aos céus e só quem adormeceu não vê! Os fautores de leis querem "é o deles" no fim do mês e outros são uma nossa senhora não te rales. Como é possível permitir que se viva cercado de matos? Como é possível que ninguém faça cumprir os regulamentos estipulados? Como é possível esperar que o inferno nos cerque permanentemente? Há casas instaladas no meio de autênticos matagais para fazer sombras, ou para servir de barris de pólvora? Como é possível que ninguém ligue ao que se passa antes dos incêndios? Só depois? Depois, como podemos verificar, é tarde! E assim vamos nós caminhando neste planeta cheio de arrelias e de permanentes lutas para que a vida continue. Mas eu acho que os fautores da morte é que estão bem vivos!

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Pintassilgo, um dos animais que me encantou, nas caminhadas da vida

terça-feira, 12 de julho de 2005

Caminhar na seca

  •  Ventor 12.07.05

Hoje fiz uma caminhada de duas horas e meia à torreira do sol. Desci a serra da Mira entre a folhagem do nada. Ainda vi um peneireiro e cinco perdizes, mas este ano nada resiste. Aquelas belas flores selvagens não estavam lá. Havia apenas meia dúzia delas a que chamei: as resistentes! Morreu tudo! Fugidas do sol, sabendo procurar a sombra, tal como nós, levantavam aos meus pés algumas das belas borboletas que ainda vão resistindo também. Este planeta está mesmo cheio de Arrelias e os homens, não ajudam mesmo!


Uma linda borboleta minha companheira de caminhada


 Um mini louva-a-deus


Um gafanhoto que me disse muito mal da vida


Ela quis à viva força que eu lhe dissesse que era linda


As cigarras fizeram um festival para mim nos troncos dos eucaliptos


Resistir, resistir, resistir!

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Pintassilgo, um dos animais que me encantou, nas caminhadas da vida

sexta-feira, 25 de março de 2005

Planeta triste

  Ventor 25.03.05

São poucos os momentos de beleza natural que este planeta já nos proporciona. Por exemplo, um festim como este já é raro termos a oportunidade de encontrar por aí. Depois, por mil e uma razões, o homem continua a destruir estes ambientes, quando próximos das urbanizações. Os processos mecânicos são cada vez mais sofisticados e a destruição do ambiente é o pão nosso de cada dia.

 

Um festim

Este insecto, a que eu chamo o sugador, não me passou pívia de cartão e continuou a sugar tudo o que encontrava. "Ao menos oferecias, não"! - disse-lhe eu. «Estás maluco, Ventor! Olha só o que nos deixaram! Já nem sei se não és tu também que andas a dar cabo disto"! Realmente, um local cheio de vida, foi tudo limpo há cerca de um ano e agora não há possibilidade de festins para esta rapaziada.

O sugador

E esta minha linda menina estava muito cansada. Fez menção de se afastar, e eu chamei-a para dar a volta que só lhe queria tirar uma foto. E não é que ela me percebeu? Deu uma grande volta e veio pousar aos meus pés! Tirei-lhe uma série de fotos e agradeci-lhe por confiar em mim. Aborrecida com a vida, disse-me: «se não puder confiar em ti, Ventor, em quem poderei»? E tem razão. Hoje todos podem confiar em mim.

Uma das minhas belas meninas. Uma ninfa, companheira das minhas caminhadas

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Pintassilgo, um dos animais que me encantou, nas caminhadas da vida

segunda-feira, 13 de dezembro de 2004

Coisa linda!

  Ventor 13.12.04

Este bichinho, é realmente uma coisa linda! Eu já tive um igual e sei como é bom companheiro. Agora que está na moda, a defesa ecológica do nosso Mundo e acho muito bem, imaginem como seria o mundo sem, sequer, um dos seus bichos! Já imaginaram a feiura do nosso mundo sem pintassilgos? Não? Eu já!


O pintas - um pintassilgo 

Este passarinho, que eu tanto quero, nem que seja só olhar, enfiado no meio desse cipreste, em Belém, mantinha-se escondido a comer e, de vez em quando, vinha perguntar-me o que continuava a fazer ali! Ele deve ter imaginado que tinha um teimoso pela frente, pois eu tirei algumas fotos ao rabo, à cabeça, à asa, nem sei, até ele sair, todo cá para fora, como essa. Claro que, enquanto tirava as fotos, ia sonhando com muitos pássaros como este, num mundo decente que, espero, o homem não estrague mais.

Pisco do peito ruivo

Este, por exemplo, esteve a cantar para mim, olhos nos olhos, a 2 metros da minha cabeça. Acho que ele cantava as saudades das histórias que o seu avô lhe contava. Sim, porque tal como nós, eles também têm história. Tentem, não esquecer, cuidar do mundo que nos envolve a nós e a estes companheiros de caminhada.

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Pintassilgo, um dos animais que me encantou, nas caminhadas da vida

sábado, 4 de setembro de 2004

Fonte de Telha

  •  Ventor 04.09.04

Não aquela que todos ouvimos falar e conhecemos, devido à praia, mas esta. Esta que eu descobri em 27 de Junho, algures num sítio a que chamam a Nascente do Alviela.

Fui para ver as Nascentes do rio Alviela, mas não cheguei lá. Fiquei-me pelos arredores. Já era tarde e quando caminhamos com gente cansada, ou quase, temos de mudar de agulha. Mas eu não mudo de agulha com facilidade. Vi um conjunto de freixos e belas sombras e por debaixo dos freixos a água espelhada. Fui até lá e descobri esta bela fonte de água fresca.


Uma nascente com água da terra, que mais parecia ser do céu

Uma sombra destas, num dia de calor, é um maná dos céus. Debaixo do nosso nariz, há belezas que nem sempre sabemos apreciar. O que é pena!

Pormenor do rio Alviela

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Pintassilgo, um dos animais que me encantou, nas caminhadas da vida