sábado, 21 de janeiro de 2006

Bichos Peludos

 Ventor 21.01.06


Bichos peludos

Este planeta está louco ou eu já não controlo nada. É difícil acompanhar a evolução desta maravilha redonda que gira no espaço e a que poderei chamar um invólucro de bichos. Sim porque nós também somos bichos. Uns mais outros menos! Senão vejamos. Pela evolução que isto leva há zonas do Globo que não me admiraria nada que ainda se pratique ou se venha a praticar canibalismo. Não? Não sei, não sei! Mas hoje não vou teclar de coisas tão drásticas. Vou teclar sobre peludos.

Estas coisinhas lindas para uns e feias, quanto baste, para outros, vão transformar-se em belezas voadoras. Mas fazem-me uma confusão dos diabos! Eu estava habituado a vê-los nascer no meio das ervas e matos pela Primavera e Verão e agora, começo a vê-los nascer no Outono e no Inverno!

Claro que isto até poderá ser normal, para mim não. Para mim, ver nascer bichos destes no frio do Inverno é algo de outro mundo. E posso dizer-vos que fiquei muito admirado! Senão vejam. Fui dar uma das minhas passeatas numa das minhas serras e, caminhando, procurava encontrar algo novo, algo que para mim fosse novidade nesta altura do ano e estava a pensar em flores. Em flores selvagens que tropeçamos pelo ano fora e descobri umas pequenas maravilhas brancas e rosas acompanhado por uma garça, à distância.

Adoro ver estas belezas quando isoladas, dizendo-nos olá

Tentei procurar outras flores e comecei a olhar para as ervas e pequenas moitas à minha volta e, de repente, sai-me uma flor, mas peluda. Uma beleza e foi o suficiente para perder ali algum tempo com estes meus amigos/as, de rabo para o ar para tentar ver o máximo e não pisar nenhum. Tarefa árdua!


Haviam vários, mas nada comparado com aquilo que em tempos vi nos vales das minhas montanhas. Eram às centenas, em grupo

Uma arrelia que este planeta teima em não sair dela e porque acho que os dias quentes fizeram proliferar os ovos das minhas lindas borboletas mais cedo. Não são só as árvores que se começam a vestir mais cedo, mas também as fadas dos bosques estão com pressa de fazer companhia ao vosso amigo Ventor.





Estas devem ser daquelas belas amarelas que já mostrei por aqui


Estas devem ser filhotas daquelas beldades albi-negras amorosas que ou eu ou o Quico já mostramos aqui a fazer amor, lembram-se?

Deixa-me agarrar bem Ventor e depois podes dizer o que te apetecer

As mães delas conversaram muito comigo e tal como eu admiraram-se muito de ver, o ano passado, tojos floridos de um amarelo tão intenso que mais pareciam uma enorme tapeçaria na qual convivia uma enorme catrefa de bichos voadores, ente os quais as minhas belezas multicoloridas. Hoje, 60% dos tojos estão secos e os outros 40% estão a começar a florir.

A mesa está posta e suas excelências vão se servindo, vamos ver 

Neste momento gostava muito de saber se algumas destas maravilhas vão resistir aos frios que certamente ainda caminharão sobre elas. Mas, se calhar, não será por acaso que serão peludas, embora em pleno Outono eu encontrasse uma bem carequinha! 

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Pintassilgo, um dos animais que me encantou, nas caminhadas da vida

terça-feira, 23 de agosto de 2005

A morte cerca-nos

  •  Ventor 23.08.05


Os sobreiros estão a morrer



Os freixos estão a morrer



Os matos e herbáceas estão mortos


As sementes dos sanguinho não resistem e as folhas estão a murchar





Mas é preciso fazer pela vida




Ainda há frutos que podem matar ou que podem ser sustentáculo de vida

Ontem fui dar uma caminhada e só vi um melro e uma águia. Pela primeira vez não vi os meus amigos gaios. Vi também os sempre acompanhantes pardais e pintassilgos, mas verifiquei que a vida não está boa para nenhum deles. Este ano de 2005 vai marcar-nos por muito tempo. É a seca, são os incêndios, ... é a calinice de muita gente, enquanto outros são atingidos pela exaustão de trabalhos que não dá para acreditar que é verdade!

As pessoas, nós todos, somos demasiado passivos! Uns por calinice, outros por incompetência. A incompetência brada aos céus e só quem adormeceu não vê! Os fautores de leis querem "é o deles" no fim do mês e outros são uma nossa senhora não te rales. Como é possível permitir que se viva cercado de matos? Como é possível que ninguém faça cumprir os regulamentos estipulados? Como é possível esperar que o inferno nos cerque permanentemente? Há casas instaladas no meio de autênticos matagais para fazer sombras, ou para servir de barris de pólvora? Como é possível que ninguém ligue ao que se passa antes dos incêndios? Só depois? Depois, como podemos verificar, é tarde! E assim vamos nós caminhando neste planeta cheio de arrelias e de permanentes lutas para que a vida continue. Mas eu acho que os fautores da morte é que estão bem vivos!

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Pintassilgo, um dos penudinhos que sempre me encantou

terça-feira, 12 de julho de 2005

Caminhar na seca

  •  Ventor 12.07.05

Hoje fiz uma caminhada de duas horas e meia à torreira do sol. Desci a serra da Mira entre a folhagem do nada. Ainda vi um peneireiro e cinco perdizes, mas este ano nada resiste. Aquelas belas flores selvagens não estavam lá. Havia apenas meia dúzia delas a que chamei: as resistentes! Morreu tudo! Fugidas do sol, sabendo procurar a sombra, tal como nós, levantavam aos meus pés algumas das belas borboletas que ainda vão resistindo também. Este planeta está mesmo cheio de Arrelias e os homens, não ajudam mesmo!


Uma linda borboleta minha companheira de caminhada


 Um mini louva-a-deus


Um gafanhoto que me disse muito mal da vida


Ela quis à viva força que eu lhe dissesse que era linda


As cigarras fizeram um festival para mim nos troncos dos eucaliptos


Resistir, resistir, resistir!

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Pintassilgo, um dos penudinhos que sempre me encantou

sexta-feira, 25 de março de 2005

Planeta triste

  Ventor 25.03.05

São poucos os momentos de beleza natural que este planeta já nos proporciona. Por exemplo, um festim como este já é raro termos a oportunidade de encontrar por aí. Depois, por mil e uma razões, o homem continua a destruir estes ambientes, quando próximos das urbanizações. Os processos mecânicos são cada vez mais sofisticados e a destruição do ambiente é o pão nosso de cada dia.

 

Um festim

Este insecto, a que eu chamo o sugador, não me passou pívia de cartão e continuou a sugar tudo o que encontrava. "Ao menos oferecias, não"! - disse-lhe eu. «Estás maluco, Ventor! Olha só o que nos deixaram! Já nem sei se não és tu também que andas a dar cabo disto"! Realmente, um local cheio de vida, foi tudo limpo há cerca de um ano e agora não há possibilidade de festins para esta rapaziada.

O sugador

E esta minha linda menina estava muito cansada. Fez menção de se afastar, e eu chamei-a para dar a volta que só lhe queria tirar uma foto. E não é que ela me percebeu? Deu uma grande volta e veio pousar aos meus pés! Tirei-lhe uma série de fotos e agradeci-lhe por confiar em mim. Aborrecida com a vida, disse-me: «se não puder confiar em ti, Ventor, em quem poderei»? E tem razão. Hoje todos podem confiar em mim.

Uma das minhas belas meninas. Uma ninfa, companheira das minhas caminhadas

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Pintassilgo, um dos penudinhos que sempre me encantou

segunda-feira, 13 de dezembro de 2004

Coisa linda!

  Ventor 13.12.04

Este bichinho, é realmente uma coisa linda! Eu já tive um igual e sei como é bom companheiro. Agora que está na moda, a defesa ecológica do nosso Mundo e acho muito bem, imaginem como seria o mundo sem, sequer, um dos seus bichos! Já imaginaram a feiura do nosso mundo sem pintassilgos? Não? Eu já!


O pintas - um pintassilgo 

Este passarinho, que eu tanto quero, nem que seja só olhar, enfiado no meio desse cipreste, em Belém, mantinha-se escondido a comer e, de vez em quando, vinha perguntar-me o que continuava a fazer ali! Ele deve ter imaginado que tinha um teimoso pela frente, pois eu tirei algumas fotos ao rabo, à cabeça, à asa, nem sei, até ele sair, todo cá para fora, como essa. Claro que, enquanto tirava as fotos, ia sonhando com muitos pássaros como este, num mundo decente que, espero, o homem não estrague mais.

Pisco do peito ruivo

Este, por exemplo, esteve a cantar para mim, olhos nos olhos, a 2 metros da minha cabeça. Acho que ele cantava as saudades das histórias que o seu avô lhe contava. Sim, porque tal como nós, eles também têm história. Tentem, não esquecer, cuidar do mundo que nos envolve a nós e a estes companheiros de caminhada.

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Pintassilgo, um dos penudinhos que sempre me encantou